Turbinas eólicas operando no mar (Offshore)

Leilão de Eólica offshore: Brasil se prepara para decisão histórica com apoio da Coppe

O Brasil avança em uma decisão estratégica que pode marcar o futuro de uma das fontes renováveis mais promissoras: a realização do primeiro leilão de áreas para parques eólicos em alto mar. Esse processo vem sendo concluído em etapas — e, nesta quarta-feira, 1º de abril, uma das mais importantes foi concluída.

Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou a resolução que estabelece as diretrizes para a regulamentação da Lei nº 15.097/2025, de Eólicas Offshore. A medida define as bases para a organização do setor e representa um passo essencial para viabilizar os futuros leilões.

Para o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, as novas diretrizes impulsionam o desenvolvimento da fonte. “Essa energia é uma aliada estratégica da transição energética, e o potencial brasileiro comprova essa relevância. Trata-se de mais um avanço no aproveitamento do potencial energético nacional, com estímulo à tecnologia, à inovação e ao fortalecimento da articulação institucional”, afirmou.

As diretrizes estabelecem critérios para a seleção das áreas, condições de participação das empresas e parâmetros para a exploração dos projetos, abrindo caminho para a elaboração dos editais e o lançamento dos leilões.

A Coppe/UFRJ tem participado desse processo desde suas etapas preparatórias, contribuindo com estudos técnicos que apoiam a formulação dessas diretrizes. Em março, os professores Milad Shadman e Amaro Pereira (dos Programas de Engenharia Oceânica e de Planejamento Energético, respectivamente) estiveram em Brasília para apresentar o estudo “Apoio ao processo de seleção e concessão de área para eólica offshore no Brasil”, durante o Workshop Brasil–Reino Unido de Eólica Offshore.

Coordenado por Milad, o trabalho foi desenvolvido por pesquisadores da Coppe — nos programas de Engenharia Oceânica e Planejamento Energético — em parceria com a ORE Catapult, com financiamento do governo britânico.

Com base na experiência do Reino Unido — referência global no setor —, o estudo analisa como adaptar modelos internacionais à realidade brasileira, oferecendo subsídios técnicos para o planejamento e a tomada de decisão governamental que agora se refletem nas diretrizes aprovadas.

Entre os principais resultados, destaca-se a estimativa de um potencial técnico de aproximadamente 98 GW, equivalente a cerca de sete usinas de Itaipu Binacional operando a plena capacidade e a quase metade da capacidade instalada atual do Brasil. Essa estimativa considera áreas delimitadas entre regiões com até 50 metros de profundidade (linha batimétrica) e distâncias de até 30 quilômetros da costa.

O estudo também aborda aspectos técnicos essenciais, como os efeitos de esteira entre turbinas e entre os parques (wake effects, fenômeno onde turbinas eólicas que estão na frente afetam o fluxo de vento que chega às turbinas de trás), fundamentais para otimizar a disposição dos parques e maximizar sua eficiência, além de questões regulatórias e modelos de comercialização de energia.

Segundo os pesquisadores, essas análises oferecem uma base sólida para orientar decisões sobre zoneamento marítimo, planejamento portuário e políticas públicas que garantam o desenvolvimento seguro, eficiente e competitivo do setor.

Para o professor Milad Shadman, o país vive um momento decisivo: “A eólica offshore tem potencial para se tornar uma indústria estratégica, com geração de empregos e impactos socioeconômicos relevantes, impulsionando setores como logística, infraestrutura portuária e indústria naval. Nesse contexto, será um vetor importante no processo de neoindustrialização do Brasil.”

O processo de concessão segue sendo coordenado pelo Ministério de Minas e Energia, por meio de um grupo interministerial com a participação de 17 pastas.

Apesar dos desafios logísticos — como a necessidade de adaptação de portos e estaleiros —, os pesquisadores destacam que o Brasil já possui uma base industrial relevante, que pode servir de base para o desenvolvimento da cadeia produtiva.

Eles também ressaltam a importância de um planejamento cuidadoso, que considere o uso compartilhado do mar e evite conflitos com atividades como pesca, navegação, turismo e exploração de óleo e gás.

“A participação da Coppe desde o início é fundamental para garantir que diferentes visões — da academia, da indústria e do setor público — contribuam para a construção de um modelo robusto e equilibrado”, conclui Milad Shadman.

Fonte: Site da COPPE

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